Dr. Leonardo Zacher analisando exames — Fimose e Postectomia, urologia em Esteio/RS

Fimose e Postectomia

Avaliação da fimose no adulto, com tratamento clínico antes de indicar cirurgia.

Sobre este procedimento

Avaliação e tratamento da fimose no adulto — do tratamento clínico, que em parte dos casos evita a cirurgia, à postectomia quando há indicação.

Fimose é a impossibilidade de retrair o prepúcio — a pele que recobre a glande — por causa de um anel estreito na ponta. O termo é bem conhecido, e é justamente por isso que gera confusão: uma parte grande do que se chama de fimose não precisa de cirurgia, e outra parte precisa de avaliação porque pode ser sinal de outra doença.

Na infância, quase sempre é normal

O Dr. Leonardo Zacher atende a partir dos 3 anos — que é justamente a idade em que a avaliação passa a fazer sentido. Antes disso, na ausência de sintomas, a conduta é observar. A partir daí, a fimose que persiste merece exame, e o caminho nem sempre é cirúrgico, como se vê a seguir.

Fimose no adulto: quase sempre é adquirida

Quando aparece ou piora na vida adulta, a fimose costuma ser consequência de algo — e identificar esse algo faz parte do tratamento. As causas mais frequentes são o líquen escleroso (também chamado de balanite xerótica obliterante), as balanopostites de repetição, o diabetes e o trauma por retração forçada.

Quando a fimose é problema

  • Dor na ereção ou durante a relação, e dificuldade ou impossibilidade de penetração.
  • Higiene prejudicada, com acúmulo e mau odor.
  • Balanopostite de repetição — inflamação da glande e do prepúcio que volta sempre.
  • Infecção urinária de repetição e, mais raramente, dificuldade para urinar.
  • Anel que abre em fissuras e sangra, sinal frequente de fibrose já instalada.

Antes da cirurgia, existe tratamento clínico

Este é o ponto que mais muda a conversa no consultório: muita gente opera sem nunca ter tentado o tratamento clínico. O uso de corticoide tópico no anel prepucial, por algumas semanas, associado a exercícios suaves de retração, resolve uma parcela expressiva dos casos sem fibrose.

A evidência mais sólida é em crianças: uma revisão Cochrane de 2024, com 14 ensaios randomizados e 1.459 meninos, encontrou chance de resolução completa cerca de 2,7 vezes maior com corticoide tópico do que com placebo, com efeito mantido além de seis meses e sem diferença em efeitos adversos — ainda que a certeza da evidência seja classificada como baixa. As diretrizes europeias citam sucesso acima de 80%, com recidiva de até 17%.

No adulto, é honesto dizer que a evidência é mais escassa — não há ensaio randomizado do mesmo porte. Ainda assim, tentar o tratamento clínico antes de operar é conduta razoável sempre que não houver cicatriz fibrosa. Quando há líquen escleroso, o caminho é outro: aí a cirurgia é o tratamento.

A postectomia

A postectomia — nome técnico da circuncisão — remove o prepúcio. Pode ser total ou parcial, preservando parte do folheto; a parcial tem maior chance de o anel voltar a estreitar, e por isso a escolha depende do quadro de cada paciente.

  1. O procedimentoAmbulatorial, com sedação e bloqueio peniano. Não há internação: o paciente vai para casa no mesmo dia. Por envolver sedação, há jejum prévio e é necessário um acompanhante para a volta.
  2. Os primeiros diasCurativo, higiene local e analgesia. Inchaço e desconforto são esperados, e cedem progressivamente.
  3. Atividade sexualA recomendação é aguardar a cicatrização completa — algo em torno de seis semanas.

Complicações existem e são pouco frequentes: em não recém-nascidos, cerca de 2,9% em cinco anos, a maior parte nos primeiros 30 dias — sangramento, hematoma, infecção, estreitamento do meato urinário, excesso de pele ou resultado estético abaixo do esperado.

Há situações em que a cirurgia deixa de ser escolha: líquen escleroso, fimose cicatricial que não responde ao tratamento clínico, balanopostite recorrente e parafimose de repetição.

A pergunta que todo homem faz: muda a sensibilidade?

É o receio número um, e a resposta honesta precisa reconhecer que os estudos divergem — mas não de forma aleatória: eles divergem conforme o desenho.

Os ensaios clínicos randomizados, que são o padrão mais confiável, não encontram prejuízo. No maior deles, com quase 2.800 homens adultos, não houve diferença significativa em dor na relação, ejaculação precoce, dificuldade de ejacular ou disfunção erétil, e 99% dos operados se declararam satisfeitos. Testes que medem objetivamente a sensibilidade da glande também não mostram diferença.

Já os estudos observacionais, em que os homens se autosselecionam e relatam a própria percepção, às vezes descrevem perda de sensibilidade. São considerados de qualidade metodológica menor, justamente por esse viés. Em resumo: a evidência de melhor qualidade é tranquilizadora, e vale conversar sobre expectativas antes de operar.

E os benefícios preventivos?

Circula bastante informação sobre a circuncisão prevenir infecções, e aqui é preciso calibrar. Os grandes ensaios que mostraram redução na transmissão do HIV foram feitos na África subsaariana, e a própria Organização Mundial da Saúde restringe a recomendação a países com epidemia heterossexual generalizada e alta prevalência — o que não é o cenário brasileiro. Não é, portanto, argumento para indicar a cirurgia aqui.

O que se sustenta melhor no nosso contexto é outra coisa: a fimose é fator associado ao câncer de pênis, doença rara mas de impacto devastador, e o Brasil ainda registra números expressivos — foram 1.933 casos e 459 amputações em 2022, segundo a Sociedade Brasileira de Urologia. Tratar a fimose e manter a higiene possível é parte da prevenção.

Cobertura e avaliação

A postectomia consta do Rol da ANS e é realizada também no SUS. A avaliação em consultório é simples e sobretudo clínica: história, exame do prepúcio e da glande — que distingue o anel elástico do anel fibroso —, e investigação de causa associada quando o quadro é recente, incluindo glicemia. O tratamento se define a partir daí, e nem sempre é cirúrgico.

Este conteúdo é informativo e não substitui a consulta médica. Cada pessoa tem histórico, doenças e medicamentos próprios, e é isso que define a conduta.

Referências

  1. European Association of Urology. Paediatric Urology Guidelines — Phimosis (2025).
  2. Moreno G et al. Topical corticosteroids for treating phimosis in boys. Cochrane Database of Systematic Reviews, 2024, CD008973.
  3. Sociedade Brasileira de Pediatria. Fimose: tratamento clínico x tratamento cirúrgico. Documento Científico, 2023.
  4. Sociedade Brasileira de Urologia. Fimose, parafimose e balanopostite: quais as diferenças — Portal da Urologia.
  5. Krieger JN et al. Adult male circumcision: effects on sexual function and sexual satisfaction in Kisumu, Kenya. The Journal of Sexual Medicine, 2008.
  6. Organização Mundial da Saúde / UNAIDS. Recomendações sobre circuncisão masculina para prevenção do HIV, 2007.
  7. Sociedade Brasileira de Urologia. Câncer de pênis — dados de 2022.